sábado, 10 de outubro de 2020

Vaquinha Olavista

 



Raimundo Broto-seco é meu primo. Operador de betoneira com diploma do SESI ele é asselvajado, mas não é burro. Suas perguntas às vezes me desnorteiam. Hoje ele me saiu com essa:

— Quem vai dar dinheiro para o Olavo de Carvalho pagar a multa de R$ 2,9 milhões ao Caetano Veloso definida pela Justiça?

Bom, é sabido que o guru não tem essa bolada toda. Ele já vociferou cobras e lagartos contra o Véio da Havan e cacarejou vitupérios sobre o presidente Jair Bolsonaro que “só é presidente” porque o Olavo o teria colocado lá... Os eleitores, milhões de eleitores, só votaram no Jair porque ele, Olavo, o grande filósofo da pós-modernidade, mandou. Ou seja, se não fosse o Jair, o presidente seria ele.

Eu, criado livre e solto na pequena Cosmorama (minha Miraí), tenho algumas dicas. Acho que Olavito deve pedir uma ajuda ao Marco Antonio Villa e ao Reinaldo Azevedo. Se receber um não dos dois, podem recorrer ao 01, 02, 03, 04... ou então, ao Paulo Guedes, dono da bufunfa nacional. Em último caso, pode solicitar uma ajuda à Liga Venusiana dos Olavitas Trolados e à Confederação Intergaláctica dos Terraplanistas Unificados.

Eu disse ao Raí Broto-seco:

— Calma, calma. Vamos fazer uma vaquinha digital.

Se você estiver interessado em ajudar Olavo de Carvalho pagar o Caetano Veloso, não se sinta avexado. Fale comigo in box que passo o número da conta para o seu depósito bancário. Olavito, penhorado, agradece.

sábado, 3 de outubro de 2020

Trump e a cloroquina

 

Raimundo Broto-seco é meu primo. Nasceu no sertão, na pequena Passabem, onde o mapa da Paraíba faz uma cinturinha de pilão. Operador de betoneira com diploma do SESI, dono de um pensamento linear e percepção de caipira amineirado, ele tem curiosidade de repórter e desconfiômetro elefantês. Volta e meia ele me aparece com alguma pergunta que não consigo responder ou com uns causos de dar nó em sinapses. E-mail de hoje:


 “— Se o presidente dos Estados Unidos, assim como o nosso aqui, nega que a gravidade da Covid-19, porque saiu correndo para se internar num hospital ao perceber os primeiros sintomas da doença? Se ele nega para os outros, deveria negar para si também. Mas, como quem tem ânus tem medo...

Entretanto, fico me perguntando por que ele não toma a cloroquina que vendeu para o nosso Jair? Se a cloroquina curou o nosso presidente, porque não serve para curar o Trump?

Sei não primo, isso está me cheirando a engodo, fake News braba. Assim como a facada ajudou o Jair a fugir dos debates, acho que o Trump está usando o Covid para fugir do Biden e se colocar como vítima para obter a piedade dos eleitores. Arriégua!”

 

Assim é meu primo, curto e grosso como os carrascás da sua terra natal.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Distopias Leleanescas - Capitulo 1



Capítulo I – O patíbulo da Monarquia


O Brasil dos brasileiros anda agachado desde que a Monarquia foi destronada, isto é, apeada do poder. Foi assim:
Era feriado da Proclamação da República. Estava todo mundo na praia comemorando mais um dia de folga. Sexta-feira. Um calor dos infernos.
D. Pedro II, o imperador, estava na sua casa de campo, em Petrópolis (tem este nome por causa dele: é a Cidade do Pedro). Lá fazia menos calor.
Enquanto isso, os militares e os republicanos, todos comunistas de esquerda (só tinha um comunista de direita, o Benjamin Constant) manobravam sorrateiramente para tomar o poder.
Como acontece até hoje, enquanto povo comemorava o feriado, eles aplicaram o golpe.
O Brasil amanheceu monarquia e anoiteceu república.
Tudo por causa da esquerdista Isabel, a princesa, casada com um comunista sanguinário, comedor de crianças paraguaias, chamado Conde D’Eu. Na verdade, o conde deu muitos motivos para os golpistas. Ele estava negociando a venda da Embraer para a empresa francesa Airbus. Santos Dumont, que morava em Paris, denunciou a falcatrua toda. Os militares maoístas e os militares smithianos rebelaram-se contra tal alvitre à nação.
Não bastasse a princesa esquerdista ter assinado a abolição dos escravos e livrado os escravocratas de continuar sustentando aquele povaréu todo, agora este príncipe comunista salafrário queria vender nosso orgulho nacional depois da Petrobras, a Embraer!!!
O marechal Deodoro foi chamado às pressas. Meio adoentado, aplicaram uma injeção de cetorolaco de trometamina com metilprednisolona. Arrepiado, ele montou seu cavalo branco e à frente dos republicanos comunistas de esquerda e (e o de direita, o Benjamin) sacou uma espada e bradou: Independência ou Morte!
E assim a Monarquia pariu a República.
Começava o novo Brasil.


Enquanto D. Pedro dormia... a Monarquia caia. 

sábado, 9 de novembro de 2019

Boas leituras



Fechei na sexta-feira o livro “O Novo Iluminismo”, de Steven Pinker. Mais de 500 páginas em defesa da razão, da ciência e do humanismo. Foi um presente de Odécio Lopes dos Santos. Eu já tinha pretensão de ler esse livro por causa da aberta adversidade de Nassim Nicholas Taleb às ideias de Pinker. Briga de cachorros grandes, como se diria em Cosmorama. Como a briga se situa na esfera dos acadêmicos de Harvard é bom, como leitor, manter os dois pés atrás.
Gosto da forma leve como Pinker escreve e gosto do humor sarcástico de Taleb. O embate acadêmico deles é como uma pororoca de saber. O conhecimento jorra linha a linha, às vezes sufocando quem os lê. “Cisne Negro” e “Antifrágil”, ambos de Taleb, trabalham um viés de importância vital que quase nunca levamos em conta: a pele em risco, eventos aleatórios e assimetrias.
Pinker, por seu lado, baseado em pesquisas, assegura que o Iluminismo trouxe o progresso à humanidade e, em cima de dados e percentuais, diz que nosso mundo atual é o melhor de todos os tempos. Também, nesta linha, Johan Norberg lançou “Progresso – Dez Razões Para Acreditar no Futuro”. É menos denso, mas não de menor importância, e nos convida a acreditar no futuro da humanidade, apontando um dado bastante curioso: o século XX foi o menos violento de todos, apesar de duas guerras mundiais e outras guerras igualmente brutais.
Difícil acreditar, mas ele trabalha com os números e ajustes populacionais e nos informa que Tamerlão, no século XIV, devastou a Ásia Central e a Pérsia, matando, proporcionalmente, mais que Hitler, Stálin e Mao juntos. A queda da dinastia Ming, no século XVII, teve o dobro de vítimas da Segunda Guerra Mundial. A queda de Roma, entre os séculos III e V, não ficou atrás.
Norberg e Taleb acrescentam outros raciocínios relevantes, como a produção de alimentos e a superpopulação do mundo. Taleb é um inimigo ferrenho de empresas como a Monsanto, por exemplo. No entremeio disso tudo, me cai às mãos “Rápido e Devagar – Duas Formas de Pensar”, de Daniel Kahneman. É uma leitura altamente instigante, propondo nos mostrar como essas duas formas de pensar moldam nossos julgamentos e decisões. Estou lendo Kahneman por influência de Laerte Teixeira da Costa.
Comecei a ler Pinker meio a contragosto. Ele defende o humanismo como caminho viável para a humanidade vencer o “fascismo light” e nova cara do populismo como um movimento que está “numa estrada demográfica que leva a lugar nenhum”. Tenho reservas com a filosofia humanista.
Tanto Pinker quanto Norberg são enfáticos na defesa da democracia liberal. O primeiro destaca duas questões relativas à felicidade (positiva e negativa) como bens intrínsecos da população e, o segundo, assegura que nações democráticas não invadem nem fazem guerra — — exceto os Estados Unidos.
Estão aí, quatro boas obras para serem deglutidas no primeiro semestre de 2019. E nem falei de Yuval Noah Harari, Richard Dawkins, Siddhartha Mukherjee e Silvana Condemi com seu “Neandertal – Nosso Irmão”.
Ah, em tempo, Tamerlão ficou famoso pelo gosto bizarro de construir pirâmides com crânios dos inimigos mortos.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

MANIFESTO AOS SESSENTA


Daqui dois meses faço sessenta anos.
Ontem, pensando nisso, fiquei muito triste, até mesmo acabrunhado.
Na minha cabeça, minha vida não havia valido a pena.
Fui dormir entristecido e tive um sonho.
Um sonho às margens de uma cachoeira linda, de águas translúcidas.
Conheço muitas cachoeiras, nunca havia visto uma igual.
Nesta cachoeira havia uma Vênus e um garoto.
Ambos nus e felizes. E havia eu.
Talvez o garoto fosse eu mesmo. E a Vênus a vida.
Talvez a Vênus fosse a junção das mulheres que me deram seu amor.
Maravilhosas mulheres que me ensinaram a viver.
Me ensinaram a chorar e a rir e a cantar e a sonhar...
Com cada uma delas eu aprendi alguma coisa boa.
E como diz o belo samba de Roberto Ribeiro:
— Perdi a conta das mulheres que beijei.

Mas agora cheguei ao sessenta.
O sonho me mostrou a felicidade da infância.
Quanta liberdade desfrutei nos quintais cosmoramenses!
Penso que pouca gente teve uma infância tão livre.
Foi sim uma infância pobre e difícil, mas foi ela que me moldou.
Moldou meu caráter, amalgamou em mim o sentido da gratidão.
A adolescência em Cosmorama foi a benção que Deus me deu.
Meus amigos e eu crescemos longe das drogas.
Tivemos uma formação lúdica, carregada de proteção familiar.
Comecei a trabalhar aos nove anos, vendendo verduras e sorvetes,
Engraxando sapatos, capinando quintais e fazendo pães...
Limpando cadeiras de cinema e varando lona de circos!
Jogando biroca, nadando em córregos e brigando e apanhando nas ruas!
Será que este tempo voltará um dia?
Jovem, fui ao footing, aos campos de futebol, às paqueras nos bailes!
Levei tábuas e tombos, aprendi a beber e a fumar para me enturmar.
Na madrugada, ouvindo rádio na padaria, aprendi a amar o samba.
Na roça, trabalhando de birolo (boia fria) aprendi a amar a música caipira.  
Com os amigos mais intelectualizados aprendi a amar a MPB.
Nos livros, aprendi a amar a música erudita.
Ah... os livros. Eles salvaram a minha vida.
Os livros estão na minha companhia desde os seis anos quando ganhei uma Revista Jacques Douglas.
Quem seria eu sem os livros?
Eles me ensinaram a falar e abriram as portas do mundo para eu viver.

Daqui dois meses eu faço sessenta anos.
O sonho com a Vênus me mostrou muito mais que isso.
Mostrou que a vida me deu muito mais do que eu pedi.
Como cantou Ataulfo Alves: eu era feliz e não sabia.
Aliás, sou muito mais feliz do que penso que sou.
E foi assim que surgiu este manifesto ao som de O Poder da Criação, de João Nogueira.
Sim. Sou feliz. Sou um homem com os pés em dois séculos.
Eu vivi toda a transformação do mundo atual.
Eu vi televisão em preto e branco.
Escrevi em máquina de escrever;
Fiz jornal em mimeógrafo.
Cópias com papel stencil (é assim que escreve?).
Ah... mas isso são apenas recordações de saudosismo.
Curto saudosismo apenas para contar histórias.
Eu sou isso: um contador de histórias.
Plantei árvores.
Tenho uma linda filha de inteligência ímpar.
Conheço o Brasil do Monte Caburaí ao Arroio do Chuí.
Menti. Traí.
Assim como mentiram para mim.
Traíram-me — em todos os sentidos.
Amei e sei que fui amado. E não uma única vez.
Chorei e fiz chorar.
Ri e fiz rir.
Ajudei e fui ajudado.
Roubei e matei.
Roubei em estado falimentar quando criança.
Matei um homem atropelado numa noite de chuva.
É uma nódoa que carrego na alma. E carregarei para sempre.
Vivi e morri muitas vidas nesta vida.
Corri riscos. Salvei pessoas. Fui salvo por pessoas.
Fui católico praticante. E fui ateu. E depois voltei a crer.
Frequentei botecos, zonas de meretrício, restaurantes chiques.
Partilhei momentos fantásticos neste caminho.
Deixei pessoas para trás, assim como também fui deixado.
Estive entre os poderosos e entre os mendigos.
Dormi em cinco estrelas e também em albergue noturno.
Lagosta, caviar, champange, talheres de prata e taças de cristal,
Cabo-de-reio, meio arroz ou nada na marmita feita de lata de goiabada...

Sonhei, sonho, sonharei...

Daqui a dois meses faço sessenta.
E sou daquelas pessoas que, de tanto viver, não se enxergam.
Eu não me enxergo velho; não me vejo entregando os pontos.
Se a doença não me tolher o caminho.
Se os acidentes não me virem por aí.
Se eu não esmorecer.
Se Deus me permitir, tenho ainda quinze anos de vida útil pela frente.
E quero fazer desses quinze anos uma vida em plenitude.
Efervescência. Florescência. Renascença. Tudo assim.
Grandes projetos e sonhos maiores ainda.
Cinquenta em quinze.
Quero sim, e este é o manifesto:
Viver cinquenta anos em quinze.
Novos sonhos. Novos planos.
Uma vida intensa e plena é o que quero.
E Deus quer.
E aos amigos, eu digo: venham, bebam e comam comigo.
Não tenham medo de serem felizes.
Aos meus inimigos eu ouso escrever um palavrão: Fodam-se.
Vocês não pagam minhas contam nem colocam comida na minha mesa.
Mas, tanto aos amigos quanto aos inimigos, eu peço: vivam e deixem viver.
A vida é curta e como cantou Vinicius: não sabemos se tem outra.

19 de abril de 2019 – 15h58  

quinta-feira, 4 de abril de 2019

O cachorro preto



Recebi um vídeo sobre um cachorro preto que representa, de forma artística, a depressão.
Que horror é a depressão.
Que doença nefasta, que sordidez nossa mente produz!
É difícil aceitar que a depressão surge de dentro, do nosso mais recôndito âmago. A depressão é uma fruta podre no cesto de genes que nos dão a vida.
Dia desses perdi um primo para a depressão. Um jovem que se aniquilou em vida. Teve sua alma acorrentada por essa tristeza sem fim. Nada parece conter o fluxo infernal de depressão. É como se ela fosse realmente um enorme cachorro preto aprisionado, amarrado, acorrentado ao nosso pescoço.
Mateus foi embora, jovem triste que na tristeza se engolfou e nela se afogou.
Não, eu não quero cair novamente neste lago de águas pútridas e negras da depressão.
Quero amansar este cachorro preto e fazer dele um pinscher dócil. Prometo solenemente amansar esse cão.
Anseio pela vida. A vida em abundância. Quero andar, correr, ver o sol nascer e ver o sol se por. Quero me distanciar das energias ruins que me puxam para o lodo. Não quero mais chorar nem choramingar. Quero erguer a cabeça e estufar o peito; colocar o queixo na altura adequada aos homens de sucesso, nem para a arrogância nem para o coitadismo.
Minha hora é agora e eu sou um homem de ação. Um homem de ação não tem tempo para ficar lambendo feridas.  Como nos ensinou Dale Carnegie: um homem de ação ocupa a mente fazendo coisas, trabalhando, produzindo, ajudando, fazendo a roda da vida girar.
Adeus, cachorro preto nunca mais. Se ele aparecer de novo, vou colocar nele uma coleira e um cadeado e amarrá-lo bem longe do quintal da minha alma.



quarta-feira, 27 de março de 2019

Exposição mostra igrejas no Riopreto Shopping

Teve início hoje, às 10 horas da manhã, exposição fotográfica baseada no livro sobre os 90 anos da Diocese de São José do Rio Preto, de autoria do jornalista e historiador Lelé Arantes. São cerca de 70 fotografias das paróquias rio-pretenses e outras cidades da região, como Adolfo, Bady Bassitt, Bálsamo, Cedral, Guapiaçu, Jaci, José Bonifácio, Mirassol, Monte Aprazível, Neves Paulista, entre outras. A exposição foi idealizada e preparada pelo publicitário Cyrineu Massucato Jr. Está distribuída em totens localizados na entrada interna do shopping.
 No sábado, a partir das 10 horas, será oferecido um café da manhã com autógrafos dos livros. A exposição permanecerá aberta ao público até o dia 30.

Foto mostra a disposição dos totens da exposição. (Joyce Piccoli)